No início do século XVII os protegidos da Corte
se empenhavam em conseguir glebas para o cultivo da cana-de-açúcar, a fim de suprir o
mercado europeu.
A família Sá, que já havia prestado grandes
serviços à Coroa, foi beneficiada com as sesmarias da região de Jacarepaguá, lugar situado
perto do porto de exportação do Rio de Janeiro.
Assim, em 1624, Salvador Correa de Sá e Benevides
obteve a sesmaria leste e Gonçalo Correa de Sá, a oeste. Confinando as duas propriedades
numa linha que segue da Pedra Branca ao rio Pavuna, seguindo este até sua foz e, de lá, em
linha reta até o mar.
A sesmaria do Salvador Correa de Sá, em 1894,
vendida por seus herdeiros à família Serpa Pinto, que a alienou a Geraldo Rocha e oeste a
Carlos Riel. Posteriormente, foi dada à Companhia São Paulo - Rio Grande a qual o loteou.
A outra sesmaria da propriedade de Gonçalo Corrêa
de Sá, veio a ter Dona Victoria Correa de Sá, sua filha, como única herdeira, Dona Victoria
fora casada com Dom Luiz de Aspedes Xeria, governador geral do Paraguai, de quem ficou viúva, sem filhos.
Em 30 de janeiro de 1667, esta senhora mandou redigir um testamento
no qual nomeava e instituía seu sucessor universal e Mosteiro de São Bento, de invocação à
Nossa senhora do Monteserrat da cidade do Rio de Janeiro.
A região foi dividida em vários engenhos, e,
1767, era chamada de "Planície dos Onze Engenhos".
Encontramos na atual estrada do Capão no 1990, a
casa da Fazenda do Engenho D´Água, edificada nos meados do século XVII.
Não se trata da primitiva construção, Esta foi o
Engenho D`Água erguido anteriormente com uma ermida dedicada à Nossa senhora da Cabeça. Há
também, a Fazenda da Taquara, cuja existência é anterior a 1768. Primeiramente, teve como
dono Francisco Teles Marreto de Menezes e depois seu filho Luiz, ambos juízes de órgãos do
Rio de Janeiro. No século XIX, por sucessões seguidas, pertenceu a família do Comendador
Francisco Pinto da Fonseca, pai do barão da Taquara.
Sabe-se que, em 1771, o proprietário do Engenho
da Serra José Reis de Aragão, doou duas áreas de terra, uma à Irmandade de Nossa Senhora
da Pena e outra à Freguesia de Nossa Senhora do Loreto, cujos templos têm sua existência
até nos nossos dias.
Finalmente, temos a dar o significado do nome
Jacarepaguá (jacaré-upa-goa), segundo os índios tamoios "a lagoa rasa de jacarés".
D. Victoria, faleceu em 30/01/1667, deixando,
em testamento, todas as suas terras ao Mosteiro da Ordem de São Bento.
Em documento do arquivo Municipal encontra-se
o testamento de onde foi extraído o seguinte texto: "... todas as terras, com engenho
e todas as que se acharem desde o rio Pavuna até o mar, correndo da costa, até junto
de Sepetiba, com os montes, campos, restingas, lagos e rios, exceptuando algumas porções,
que a doadora dera em vida a várias pessoas. Mas a Ordem fica obrigada ao encargo de
uma missa diária, um ofício e outras obras pias de esmolas e responsos. "
Estas terras foram exploradas pelos frades
beneditinos durante mais de duzentos anos e vieram a perde-las, em hipoteca, para um
Banco, Banco de Crédito Móvel, que anos depois veio a falir, tendo antes vendido
grande parte desse acervo.
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